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28/01/2013
Emoção e dedicação nos relatos de quem socorreu as vítimas da tragédia de Santa Maria
Enfermeiros, técnicos e auxiliares foram os heróis anônimos deste triste episódio
Na
madrugada deste sábado (26) ocorreu o incêndio na boate “Kiss”, no município de
Santa Maria (RS), que resultou em mais de 230 mortes e figura como o segundo
maior incêndio da história brasileira. A logística de apoio às vítimas e seus
familiares foi muito bem organizada em Santa Maria e em Porto Alegre. Os
responsáveis por esta tragédia ainda terão que responder para todo o País o que
aconteceu. Muitos já falam em revisar os critérios para liberação de alvará de
funcionamento para casas noturnas, pois muitas não apresentam segurança e nem
facilidade para que as pessoas saiam em caso de emergência. A cobertura
jornalística está sendo completa e abrangente mas sentimos a necessidade de
mostrar um lado oculto da história. Os relatos de quem atua na ponta e teve
contato direto com os afetados. Tivemos uma série de conversas ao longo do dia
e selecionamos algumas histórias que podem ser citadas como exemplo de
dedicação e de vida destes heróis anônimos que atuam na enfermagem.
Segundo
as informações prestadas pela enfermeira Lúcia do Couto Costa, Responsável
Técnica do Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, para onde foram
levadas 47 vítimas do incêndio em Santa Maria, a equipe de enfermagem e a
equipe médica do hospital foram as primeiras a serem acionadas na noite da
tragédia. “Nas primeiras horas do acontecido já estávamos recebendo a visita de
diversos colegas dos municípios do entorno. Todos estavam extremamente
comovidos e queiram ajudar de alguma forma. Alguns tinham inclusive recém saído
de seus plantões e ouviram a notícia na rádio, a caminho de casa”, conta Lúcia.
Para
o enfermeiro Carlos Sangoi, que foi um dos primeiros a acolher os feridos que
chegavam “o que aconteceu aquela noite nunca sairá da nossa memória, fará parte
da gente para sempre”. O enfermeiro conta que as primeiras informações foram
desencontradas. Alguns falavam em tiroteio, outros em desabamento. Mas mesmo
sem saber o que realmente havia acontecido, ao barulho das sirenes das
primeiras ambulâncias que estavam chegando todos se dirigiram ao Pronto
Socorro. “Lá o quadro era de guerra. Muitos jovens chegando já com parada
cardíaca ou em início de parada cardíaca por causa da quantidade de fumaça
inalada. Vi direto muitos colegas de enfermagem que moram nos municípios
vizinhos, gente que estava dormindo, que estava de folga, que já tinha feito
suas 12 horas. Todo mundo unido, em comoção. Trabalhamos as horas seguintes sem
parar, ninguém pensa em comer, beber ou ir ao banheiro numa hora destas, tu
esquece tudo e só quer salvar mais uma vida, pois cada momento pode ser
definitivo”.
O
técnico em enfermagem Jéferson Ferraz, do SAMU de Santa Maria, que trabalha no
Hospital Universitário, foi na primeira equipe de socorristas que chegaram ao
local. Receberam a ligação da regulação de Porto Alegre as 3h24 da manhã. Ele
contou que quando chegaram às pessoas estavam saindo em quantidade de dentro do
local, muito com graves problemas respiratórios. Voluntários tentavam quebrar
as paredes. Outras pessoas estavam sendo retiradas desmaiadas. Muitas pessoas
foram transportadas em táxis e veículos particulares e isto foi necessário pois
apesar da cerca de dez ambulâncias que havia em deslocamento, eram muitas
pessoas em estado grave. “O mais difícil é a decisão que temos que tomar na
hora de quem vamos botar na ambulância primeiro. Precisamos deslocar quem ainda
está vivi, quem ainda respira. Uma vida que ainda pode ser salva. Das vítimas,
95% estavam com asfixia”.Hoje à noite o técnico Jéferson voltará à ativa. A
SAMU deve transportar de 12 a 16 pessoas até a Base Aérea, onde serão
transportadas de avião ou helicóptero até Porto Alegre, onde serão recebidas
pela SAMU e encaminhadas a um leito através da regulação do município.
O
enfermeiro Ronaldo Rubert, que também estava neste primeiro grupo, contou que
nunca havia imaginado presenciar uma situação igual aquela. Mas que apesar do
grande número de vítimas que não paravam de chegar, a equipe de enfermagem da
instituição mais os enfermeiros, técnicos e auxiliares voluntários, que
chegaram durante toda a noite conseguiram realizar o trabalho. “Foi uma coisa
instintiva, era como se falássemos por pensamento. Cada membro da equipe sabia
o que deveria fazer, todos unidos, em harmonia. Sabemos que devemos manter um
distanciamento profissional, temos treinamento para isto, mas naquele momento
foi impossível. Era como se todos fossem parte da nossa família. Foi pessoal
para mim!”
O
enfermeiro Marco Aurélio Boch Pohns e a equipe da SAMU de Sapucaia do Sul
chegaram ao local as dez da noite de domingo. Apresentaram-se diretamente ao
Ginásio Municipal onde viram que a situação estava sob controle, com o número
suficiente de profissionais de enfermagem. A seguir se deslocaram para o Hospital Universitário para revezar com os profissionais que já
estavam há quase 16 horas trabalhando. “Foi comovente a solidariedade
presenciada por todos nós. Chegavam voluntários de enfermagem de todas as
partes. Vale dos Sinos, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Cacequi, Santa Cruz,
Gravataí e Alvorada. Fomos como voluntários prestar nossos serviços mas também
haviam voluntários lá, cuidando para que nós não ficássemos sem água, para nos
oferecer inclusive algum apoio psicológico naquele momento. Pois a proporção desta
tragédia abala qualquer um. Você vivencia todo o sofrimento destes familiares,
todos com vítimas jovens”, contou Pohns.
A
técnica Elizângela da Silva estava na recepção do Hospital de Caridade aonde os
familiares chegavam com as fotos dos filhos nas mãos, desesperados para
localizá-los. “Ajudávamos como podíamos, buscando de ala em ala, olhando no
sistema. Alguns tinham sido transferidos para Porto Alegre, mesmo sem os
parentes saberem, pelo estado de gravidade em que se encontravam”.Elizângela
tem um relato emocionante sobre uma colega, que perdeu uma prima no incêndio.
“Ela foi lá no Ginásio reconhecer o corpo da menina e mesmo abalada pela perda
voltou para o Hospital para trabalhar. Ela disse - Preciso evitar que mais
pessoas morram”.Para Elizângela foi muita emoção ver todos trabalhando unidos.
Texto: Fernanda Barth
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